Liberdade

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Estou lendo um livro que se chama Liberdade, do norte-americano Jonathan Franzen. Eu altamente recomendo este livro; para os interessados, vá lá: http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12937.

Citá-lo neste blog cujo objetivo é retratar a construção de um restaurante e a formatação de uma nova empresa parece não ter muito cabimento, mas uma passagem do livro, em que uma das protagonistas questiona a sua liberdade e o fato de que o quanto mais livre ela é, mais miserável ela se torna, trouxe um turbilhão de pensamentos pra minha cabeça.

Um deles foi que o sonho de ter um negócio próprio (sonho este compartilhado por mais da metade da população brasileira economicamente ativa: li isto em algum relatório de pesquisa quando estava me decidindo sobre ser ou não uma empresária, mas a memória falha e não consigo citar a fonte) tem também um fundamento no desejo de ser livre para construir uma empresa segundo sua única vontade; decidir o estilo de liderança, o foco, a missão, os valores e a estratégia a seu bel prazer, e tomar as rédeas do rumo da empresa livremente, sem prestar contas a nenhum chefe, sem tomar decisões segundo as orientações do seu chefe e não da sua mente.

Será que somos realmente livres sem nossos chefes quando temos que nos orientar pelo mercado? Esta é uma questão muito profunda que não me sinto capaz de discutir aqui, mas que vale a reflexão.

No entanto, o que gostaria de relatar é que de uma forma semelhante à protagonista do livro, sofro o seu dilema. Sou totalmente livre para formatar a minha empresa e meu restaurante, não tenho nem sócios palpitando e dividindo as decisões comigo, mas assim que comecei a trabalhar livremente, e diga-se, sozinha, senti miseravelmente a falta das equipes com quem já trabalhei na minha vida.

Percebi que o trabalho em equipe pra mim não só é fundamental, mas também a forma que eu consigo melhor me desenvolver, expor as minhas idéias e fazer acontecer. Sofri muitíssimo no começo dessa empreitada porque não sabia trabalhar sozinha, nem com tanta liberdade. Não sabia pôr as ideias no papel, nem criar a estratégia para a realização do meu sonho sem ouvir a opinião de outras pessoas, sem a validação de uma equipe ao meu trabalho. Ainda que tenha ocupado posição de chefia em empresas, e tenha tido certa liberdade para formatar o trabalho de meus departamentos, as minhas equipes me faziam pertencer a algo maior que não a minha mente livre.

Talvez por isso mesmo que me cerquei de muitos parceiros e consultores, e não me arrependo disto. A palavra final ainda é minha, não tenho mais um chefe para compartilhar as responsabilidades das decisões e isso nem sempre é bom e reconfortante. É o preço da tão almejada liberdade, mas confesso que não vejo a hora de poder construir mais uma equipe que comigo irá compartilhar do meu sonho.

Caminhando livremente pela obra com os sapatos sujos….

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4 opiniões sobre “Liberdade

    anicolau disse:
    25/07/2011 às 5:11 PM

    E a calca ultra fashion rosa!!!

    Carina Fernanda Oz Bonaldi disse:
    25/07/2011 às 8:38 PM

    Hehehe…enquanto vc não forma uma nova equipe, que tal usufruir mais da companhia da velha equipe aqui da Avis? Fique aqui concosco, vc é sempre muitoooooo bem vinda!!! Bjs Fefê!!!

      MIMO Restaurante disse:
      25/07/2011 às 8:48 PM

      Quarta! Vou tentar ir de laptop e tudo mais… Só não vale se perder no QUINTO!

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