Dia Internacional da Cerveja – parte 2

Publicado em

Acabei de falar que nada entendo de cervejas e que preciso correr atrás do prejuízo na minha formação. Ler um pouco mais seria bom, mas necessário mesmo é eu sair por aí a beber para tentar aprender a apreciar essa bebida que hoje já é tema de muitas discussões, confrarias, concursos, estudos, livros, e já se disseminou como um item tão gourmet (e não só popular) quanto o vinho. Aliás se eu já falei da minha dificuldade de montar uma carta de vinhos, imaginem uma de cervejas?

Beber é necessário, afinal “A sede é mais mortal do que a fome. Sem comida, você poderia sobreviver por algumas semanas, mas sem bebida teria sorte se durasse alguns dias”. Mórbido? Sim, um pouco, mas eu queria fazer uma introdução a um livro do Tom Standage, de onde tirei este excerto, “História do Mundo em 6 Copos”.

E isto porque não é verdade que nunca li nada sobre cerveja. Eu li o livro acima citado e ele tem um capítulo inteiro dedicado à cerveja. Trata-se de uma leitura interessante, informativa e deliciosa, uma abordagem da humanidade e suas culturas segundo o líquido que se bebe. Parte-se do princípio que a disponibilidade da água restringiu e determinou o progresso da humanidade, a necessidade de armazená-la e as bebidas que foram surgindo para garantir o suprimento do líquido, moldam nossa história.

No capítulo dedicado à cerveja tem dados bem interessantes que gostaria de compartilhar aqui. Preparem-se com um copo de sua cerveja favorita nas mãos e vamos celebrar este dia internacional com um pouco mais de informação sobre essa “bebida fermentada da Idade da Pedra”.

Um pouco mais de cultura faz uma diferença nas conversas de bar! Quem não gosta de filosofar e contar “causos” no boteco? Aproveite pra se informar e ser o mais novo “historiador” de bar dentre seus amigos.

E desculpem não me aprofundar ou debater mais sobre as questões históricas pois esse foi o único livro que li a respeito e como é citado pelo próprio autor, Tom Standage, “A história da humanidade não existe: há apenas muitas histórias sobre todos os aspectos da vida dos homens.” Karl Popper, filósofo da ciência (1902-1994).

  • A água era a bebida básica da humanidade, mas com a mudança do estilo de vida de caça e coleta para o sedentarismo, os homens vieram a contar com uma bebida derivada da cevada e trigo. A cevada, inclusive, era intencionalmente cultivada para este fim. E esta bebida (uma cerveja bem rústica) é a principal das primeiras civilizações e ajudou a humanidade a caminhar para o mundo moderno (o surgimento da cerveja está ligado à adoção da agricultura).
  • É quase certo que não existia cerveja antes de 10.000 a.C., mas ela já estava espalhada pelo Oriente Próximo por volta de 4.000 a.C. Dizem que não foi inventada, mas sim descoberta. Alguns afirmam que a cerveja não foi necessariamente a primeira forma de álcool resultante da fermentação acidental a ser bebido. A fermentação de frutas como a uva (vinho) e também da água com mel parecem ser anteriores, mas como as frutas são sazonais e perecem mais facilmente, a cerveja oriunda de cereais facilmente armazenáveis teria se disseminado e popularizado primeiro pelas civilizações mais antigas (defensores do vinho, não briguem comigo, não estou falando que a cerveja é anterior ao vinho – quem é que sabe disso afinal – só estou falando, ou melhor concordando com o autor do livro que a cerveja tem importância histórica em civilizações mais antigas – Egito e Mesopotâmia – o vinho vai ter seu auge na Grécia e Roma Antigas).
  • A cerveja antiga tinha grãos, palhas e outros fragmentos flutuando na superfície. Tomava-se com canudo para não engolir os sólidos. E também era compartilhado… A imagem que me veio agora foi do chimarrão… já estou misturando todas as estações aqui.
  • Registros egípcios mencionam pelo menos 17 tipos de cerveja: “a boa e bela”, “a celestial”, “a produtora de alegria”, a “companheira da refeição” e assim vai… Atenção publicitários, olha os slogans aí!
  • O uso de pão no processo de fazer cerveja na Mesopotâmia leva ao seguinte debate: o pão é um desdobramento da produção da cerveja ou veio primeiro e foi usado como ingrediente na cerveja (qualquer semelhança com a Tostines é mera coincidência publicitária)
  • Os bebedores neolíticos achavam a capacidade da cerveja de deixá-los mais “alegrinhos” algo mágico e por isso mesmo a bebida era presente dos Deuses (a fermentação por si só já era magia!) Conheço muita gente que ainda vê mágica nos poderes da cerveja, os homens/mulheres ao redor ficam mais bonitos com certeza!
  • A cerveja era mais segura para se beber nessa época do que a água, sobretudo porque a cerveja era feita de água quente e “tratada” e portanto menos contaminada (mas também porque não tinham carros, nem trânsito e ninguém saia por aí a dirigir bêbado).

Ficou curioso? Quer saber mais? Vá lá e leia o livro (link da Editora).

Pra matar a curiosidade os 6 copos de que trata o livro, em ordem cronológica de importância histórica são: Cerveja, Vinho, Destilados, Café, Chá e…. Coca-Cola!

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s