Love for London

Publicado em Atualizado em

Minha intenção já declarada não é sair fazendo resenha de restaurantes, então este post pretende relatar experiências pessoais e não servir de crítica a qualquer estabelecimento. O fato é que os últimos acontecimentos em Londres (para quem não está conectado no mundo basta digitar “noticias” e “Londres” no Google para ver o que anda acontecendo por lá)  me fizeram pensar no quanto gosto da Cidade e dividir um pouco com vocês a experiência gastronômica que lá tive.

Não é de hoje que Londres entrou no roteiro dos apaixonados por boa comida. Da mesma forma que é velho o clichê de que se come mal em Londres, ou de que inglês só sabe fazer oleosos “fish and chips”, também já é lugar comum ressaltar a reviravolta que transformou a Cidade em um pólo gastronômico de ponta.

Sejam pelos midiáticos Gordon Ramsey e Jamie Oliver, sejam pelos inúmeros gastropubs, seja pelo estrelado Heston Blumenthal, dá pra se divertir e comer muito bem na região.

Mas mesmo sabendo de tudo isso, Londres sempre me impressiona com sua personalidade forte, sua vocação carnívora (falo aqui do movimento “nose to tail”), sua enorme variedade de queijos, seus “green markets”, seu cosmopolitismo. E pelo fato de que lá, ao contrário da minha experiência em Paris e em outras cidades francesas, pode-se comer bem mas também tomar ótimos cafés!

Já que citei café, local imperdível é o Monmouth Coffee. Minha primeira vez lá, dei com a cara na porta fechada (acho que era uma segunda-feira). Meu olhar desolado de turista que tem todos os minutos dos dias programados e comprometidos chamaram atenção de um casal de ingleses que vinha pela rua. Eles me questionaram se eu já tinha tomado o café da loja, ao responder que não, eles não titubearam… So, don’t miss it! No matter what you are doing tomorrow, come back, you won’t regret! (algo como, não perca, volte aqui amanhã, não importa o que você pretendia fazer, vale a pena voltar).

E eu voltei. E eu não me arrependi. E quando fui a Londres depois de alguns anos me alegrei ao saber que hoje eles já contam com outras lojas com horários mais flexíveis. Seja curioso e escolha a loja do bairro menos turístico: Bermondsey. A loja fica na Maltby Street que (bem) mal comparando é como andar sob os Arcos da Lapa no Rio de Janeiro – existem diversas lojas de hortifruti, açougue e laticínios embaixo dos arcos de uma antiga ponte ferroviária. E para quem gosta de caminhar dá para ir andando até outro famoso mercado, o Borough Market: procure chegar cedo, se for aos sábados vai estar lotado qualquer horário, mas passe o dia lá, a multidão não é à toa.

Ir a Londres e não pisar num pub é um sacrilégio mesmo para quem não é amante de cerveja como eu (para estes, uma dica: muitos tem ótimas sidras! Deixe seu preconceito de lado. Só aqui no Brasil que sidra é algo tão ruim como a Cereser. Se não tiver no ânimo da cerveja, vá de sidra… please, do it… nem que seja por mim… e depois me conta).

Mas os pubs (que não fedem mais a cigarros, mas alguns fedem a mofo – para não falar algo pior) também são caixinhas de surpresas. Que tal tomar um “pint” no almoço e comer uma das melhores comidas tailandesas? Então não perca o The Churchill Arms, perto da Notting Hill Gate.

Continuando na onda dos pubs, cabe falar dos gastropubs e da perfeição técnica com que trazem à mesa os mais variados pratos cujos protagonistas são as proteínas animais mais “incomuns” para uma nação acostumada a churrasco de picanha e filé mignon à parmegiana. OK, também crescemos comendo feijoada com orelha, joelho e rabo de porco; alguns têm avós que insistiam na rabada dominical. Se você está acostumado com esses cortes vai amar os gastropubs e se você não está, vai se surpreender redescobrindo os sabores das carnes.

Então vá lá, comece pelo maior expoente, o St. John (se gostar muito, mas muito mesmo, leve os livros para casa e entenda melhor este “movimento” “nose to tail”- eu trouxe os meus, mesmo com a mala já pesadíssima). Aliás, confesso um dos meus sonhos aqui: poder me hospedar no St. John Hotel… Já estou economizando, viu?

O melhor é saber que você não precisa ir exatamente ao famoso St. John. Se não conseguiu lugar lá, vá, por exemplo, ao Great Queen St, na rua de mesmo nome para facilitar a memorização! E acredito que tem inúmeros outros gastropubs no mesmo patamar. Quem souber de mais pode me indicar!

Antes de entrar no tópico dos “estrelados” que vão doer mais no bolso, você pode se esbaldar no Ottolenghi. Se eu tivesse somente algumas horas em Londres esse seria o lugar que eu iria, nem que fosse para fazer uma marmita de suas saladas, grãos, legumes e molhos de iogurte picantes. Tudo é fresco, colorido, lindo de olhar. Sua raiz é mediterrânea e para mim é o expoente da comida simples, honesta e saborosa. A prova de que o cuidado com os ingredientes, aliado à boa técnica e grande personalidade tornam um pequeno restaurante e deli num grande estabelecimento. Não percam, tem em quatro endereços dos quais conheço três. Como um passeio pela Portobello Road é parada obrigatória em Londres, caminhe de lá até o restaurante de Notting Hill.

Falando na Portobello Road, ande pela rua toda porque não é só de antiguidades que vive a região. Aos sábados você encontra barracas de hortifruti bem no estilo de nossas feiras de rua. E apesar de os produtos chineses já terem dominado boa parte da rua, você pode ignorá-los e entrar nas milhares de lojas que ainda vendem muita coisa interessante. Quer mais livros? Vá na Books for Cooks. Deu fome? Vá ao Electric Brasserie. Quer tomar um bom café ou o chá das cinco? Vá ao Coffee Plant. Até cupcake eu comi por lá e não me arrependi… OK, talvez fosse a influência do local e das circunstâncias, mas se você é fã do bolinho, vá na The Hummingbird Bakery.

Antes de sair do bairro, se você puder se permitir um luxo, vá ao estrelado The Ledbury. O único problema é que você terá que ter feito reserva com certa antecedência, principalmente se estiver na Europa no verão.

O domingo, por sua vez, não é típico se você não comer os Roasted Sunday with Yorkshire Pudding. Tem até um blog dedicado a eles: http://roastedsundays.wordpress.com/. Eu comi um ótimo no Bumpkin Restaurant, aliás belo exemplo de conceito sazonal, sustentável, orgânico, “home made” e local/britânico.

Você é daqueles que não perdem um restaurante italiano? Então vá ao do Jamie Oliver. Não só porque o rapaz é uma grande celebridade da TV e tem muitos livros publicados. A comida vale (tá bom vai, um pouco de tietagem também, porque não?).

E se você não liga de ir a bairros mais afastados e fugir do burburinho turístico pegue a linha “azul clara” do metrô sentido sul e desça na estação final de Brixton. Vá comer uma das melhores pizzas em um legítimo italiano, o Franco Manca. O lugar é pequeno, bem pequeno, mas consegue ter mesas comunitárias. É fluente na língua de Dante? Então peça em italiano a especial do dia e mostre seu potencial poliglota, o staff vai adorar, como bons italianos vão falar sem parar com você!

Está na hora de testar o limite do cartão de crédito. Como todos os estrelados tem milhares de resenhas por aí, só vou citar aqueles que tornaram minha vida mais feliz, OK?

Fat Duck: não é em Londres, mas se você coleciona estrelas no seu caderninho, vai dar um jeito de chegar lá. Ou então tente o Dinner no Mandarin Oriental Hotel. Neste novo do Chef Heston Blumenthal eu consegui uma reserva de última hora que me custou a perda de uma amizade e acabei não indo ao restaurante. Cuidado, as pessoas se levam muito a sério neste mundinho…

Gordon Ramsey na Royal Hospital Road.

Marcus Wareing no Hotel Berkeley. Fofoca! O Gordon e o Marcus são “brigados”. É muito ego, mas os dois restaurantes valem a pena!

The Ledbury. Já falei dele aqui, estou me repetindo porque vale mesmo.

Hakkasan. Chegue antes de sua reserve porque uma parada com direito a drinks exóticos no bar também é um ponto alto.

Espero que o limite do cartão de crédito não tenha acabado, porque o Food Hall da Harrods é imperdível (ou será que deveria dizer isso da Fortnum & Mason?).

E os “markets”? Acho que não consigo terminar este post hoje… Além da visita ao famoso Borough Market (falei dele no começo do post), vá, espere que dê tempo para tudo, ao Camden Lock, ou ainda aos mais turísticos Convent Garden e Leadenhall Market (mudando de assunto, em Convent Garden tem a maior loja da Apple do mundo – so far – mas também tem a parisiense Ladureé, você não vai perder os macarrons, vai?).

Vou terminar com a infinidade de sabores e texturas de queijos das ilhas britânicas, então dê um pulo na Neal’s Yard Dairy para entender o que estou falando. Só não vai fazer como eu e comprar tanto queijo que você vai ser obrigado a estocar na mala e deixar todas as suas roupas com um aroma agradável só ao paladar.

Se você conseguiu chegar até o final do post, percebeu que eu fiquei devendo os parques (aonde você pode tomar excelentes cafés da manhã) e os hotéis para se deliciar com os tradicionais chá das cinco. Volto neste assunto depois, OK? Me cobrem!


Uma opinião sobre “Love for London

    Pauta óbvia: Carnaval « MIMO Restaurante disse:
    17/02/2012 às 1:56 PM

    […] Pra começar podia aprender a fazer um Bloody Mary, coisa que amo mas nunca me arrisquei a fazer (aliás, pra quem tem viagem marcada para Londres, o melhor que tomei lá foi no gastropub Great Queen, do qual já falei aqui). […]

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