Senhor, aceita o couvert?

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Essa sexta-feira começou um pouco confusa e fiquei em dúvida sobre o que exatamente escrever no post de hoje. Mas os diversos debates no Twitter sobre a nova lei do “couvert” me forçaram a falar sobre o assunto no calor do momento.

Fico um pouco temerosa de escrever sobre a tal lei pois sou dessas pessoas que não formam a opinião só de ler uma notícia; preciso ouvir diversas opiniões, matutar um pouco e aí decidir meu posicionamento. Mas também é inútil ficar aqui só replicando o que li na internet e que você pode checar sem a minha ajuda neste link do Estadão.

A lei regulamenta que o couvert só pode ser servido após o cliente solicitar o serviço e o restaurante deve informar claramente o preço e a composição do que será servido. Não me parece nada demais esta determinação, ao contrário, é algo bem razoável do ponto de vista do direito do consumidor e, para mim, algo básico e fundamental quando da aplicação das regras de hospitalidade que bons restaurantes procuram seguir.

Talvez o que me assuste mais é nosso país, diga-se, nossos parlamentares, terem que perder tempo regulamentando tantos detalhes operacionais de cada um dos tipos de empresas privadas. Já temos um Código de Defesa do Consumidor, não? Será que realmente é necessária a máquina legislativa gastar todo o seu esforço e, diga-se, nosso dinheiro, para ficar especificando exatamente como cada ramo empresarial tem que atuar em cada tipo de serviço que oferece? A mim não faz sentido isso.

Quero deixar claro que não sou contra a lei, não quero combatê-la e, na prática, devo usar esta metodologia de questionar meus clientes se eles aceitam o couvert e entregar antes o cardápio não só com o preço estipulado, mas também com o detalhamento de sua composição. O que manifesto aqui é meu sentimento de que há algo de errado na composição das leis neste país. Há uma inversão nas prioridades.

Sabe aqueles dias que a gente tem preguiça de trabalhar então começar a fazer as coisas mais simples e divertidas? Isso me parece que acontece também com os parlamentares (eu sei que toda a generalização é burra e injusta, mas preciso usar o coletivo aqui). Existem tantas medidas a serem tomadas sobre assuntos realmente sérios que mexem com a estrutura de nossa sociedade e com nossas mazelas, mas que são massantes, cansativas, densas; então vamos falar um pouco de coisas mais leves e que, claro, criam mídia positiva. Por que não?

Será que houve tanta reclamação de consumidores ofendidos ou que tiveram seus direitos abusados por restaurantes inescrupulosos?

Eu nunca me senti ofendida por nenhum estabelecimento; seja aquele que me ofereceu o couvert já com ele nas mãos do garçom, ou ainda naqueles em que o couvert foi colocado sobre a mesa sem eu pedir. Se não quero, digo que não aceito e o garçom retira e ponto final. E sei que os preços estão no cardápio, basta eu olhar. Se há estabelecimentos que pontualmente cometem abusos (e não nego a existência dos mesmos), deveríamos usar o Procon e outras medidas repressivas que nossas leis já nos fornecem para tratar desses casos práticos e pontuais, não?

Devemos questionar a conta quando não concordamos com ela, devemos saber dizer não para serviços que não precisamos e, devemos aplicar o pior do castigo para um estabelecimento comercial, ou seja, não mais voltar e contar da péssima experiência para todos os nossos amigos. Eu deixaria isso para o mercado competitivo e cada vez mais profissional regulamentar, a própria oferta e demanda já cria seus padrões, seus bons usos e costumes e as ações a serem repreendidas. E deixaria os abusos para o Código de Defesa do Consumidor resolver – ele pode, ele é lei!

E deixaria para os parlamentares os assuntos coletivos que realmente precisam de doutrinação. Minha avó diria, é muita tempestade em copo d’água. Ou não?

 

Eu amo o couvert do Restaurante Carlota. Vocês podem continuar a oferecê-lo, por favor?

Uma opinião sobre “Senhor, aceita o couvert?

    Contando as calorias « MIMO Restaurante disse:
    15/08/2011 às 12:58 PM

    […] passada foi aprovada uma lei sobre o couvert como já falei aqui no blog. Pensando neste assunto lembrei de uma noticia que li quase um mês […]

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