Música para Cozinheiros

Publicado em

Dando continuidade ao post de ontem (Música para Cozinhar) vou agora discutir a questão se devo ou não disponibilizar música na cozinha de meu restaurante (e no salão para o restante da equipe, quando fora do horário do serviço).

Será que vou animar e motivar meus cozinheiros ou vou tirar a concentração deles acarretando não só queda na produtividade e padrão de qualidade, mas também um maior risco de acidentes de trabalho? É muita faca e muito fogo minha gente!

E, pior, será que minha seleção musical iria agradar e estimular todos ou poderia dar dor de cabeça e irritação a alguns?

Será que isso é algo para eu me preocupar e me antecipar criando regras de conduta ou devo permitir que meus colaboradores criem suas próprias regras, deixando a minha interferência só para o momento em que o costume estabelecido se mostrar de alguma forma prejudicial ao ambiente de trabalho?

Vou começar pela última questão. Eu diria que prefiro criar uma regra. Ainda que não tenha as regras por definitivas ou indiscutíveis, ainda que eu possa mudar de ideia se assim me demandarem e/ou ficar claro que a mudança trará benefícios, eu parto do princípio que a boa convivência em um ambiente de trabalho se inicia quando certos parâmetros já são pré-estabelecidos. E a regra vigente previne que os funcionários percam tempo imaginando o que podem ou não fazer, se vão agradar ou não, ou fiquem testando os limites de suas condutas.

Sem contar que se for para ter música, é melhor já deixar previsto a caixa de som com boa distribuição acústica do que depois ter que aguentar rádios desafinando engordurados no meio das GN’s (bom talvez radinhos de pilha sejam passado… seriam celulares com rádio, MP3 e afins, não?).

Mas e aí, ter ou não ter?

Vou contar minha relação pessoal com a música para tentar chegar a alguma conclusão. Eu sempre precisei de silêncio para qualquer atividade que requer certa concentração. Quando na escola, nunca pude fazer “lição de casa” com o som ou a televisão ligada. Música para estudar só quando eu estava ensaiando minhas coreografias do “ballet”. Mais tarde, quando fui trabalhar em escritório de advocacia e empresas, nunca ouvi música durante o expediente. Isso sempre foi proibido e eu nunca senti falta. Já quando comecei a trabalhar em casa tudo mudou. Dependendo do meu nível de animação e motivação uma musiquinha ajuda a levantar o astral, ou a acalmar os nervos quando as coisas começam a dar errado, mas ainda desligo o som quando preciso um pouco mais de foco (este post estou escrevendo ouvindo música e quer saber? Está divertido, mas com certeza estou levando mais tempo para organizar as ideias do que se estivesse concentrada no silêncio).

Quando fiz estágio em cozinhas cheguei a trabalhar 12 horas ouvindo pagode no rádio. Após o período de irritação, de dor de cabeça, de implorar pelo David Bowie, já encarava os muitos quilos de camarão a serem limpos cantarolando qualquer coisa como “nosso amor é tão lindoooooo”. Agora verdade seja dita, mesmo nas cozinhas onde o pagode rolava solto, quem reinava na hora do serviço era o som das panelas, do fogo e do vozeirão do Chef.

Recorrendo ao querido Google achei um texto relatando uma pesquisa que comprovou (o que empiricamente eu desconfiava) que música no ambiente de trabalho afeta negativamente a produtividade: Link do Blog.

Só que não acredito que todo mundo consiga manter sua concentração e produtividade nas alturas 100% do tempo dentro da sua jornada de trabalho; então uma musiquinha nas horas mais relaxadas, onde são realizados trabalhos mais mecânicos, que requerem menos da mente, não ajudariam a tornar o ambiente de trabalho mais agradável? Eu acho que sim, e é por aí que vou criar a regra para o MIMO. Claro que vou depender de definir os fluxos de trabalho na cozinha com o Chef, ou mesmo no salão, mas uma vez que o trabalho esteja bem planejado uma hora ou outra vou “bombar” o som pra animar a galera!

Quanto à playlist… Putz… minha divergência de gosto musical já cria problemas com meu vizinho e toda sexta-feira tem a competição do meu rock ‘n roll com a techno music dele. Espero não ter a mesma divergência com meus colaboradores. Deveria perguntar pelas bandas preferidas deles já na entrevista ou isso já é discriminação?

 

Será que isso anima?

 

 

Fica vai ter música…

 

 

Será que agrada todo mundo?

 

 

ou será que meu gosto musical “the people they don’t understand”

Anúncios

Uma opinião sobre “Música para Cozinheiros

    Atendendo a pedidos « MIMO Restaurante disse:
    31/08/2012 às 9:04 PM

    […] Música para cozinheiros […]

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s