O primeiro menu degustação a gente nunca esquece

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Eu lancei uma ideia para alguns amigos de escrevem um post para ser publicado aqui em que contassem um almoço ou jantar inesquecível. Não necessariamente o melhor de suas vidas, afinal criar um ranking de refeições é difícil senão impossível. Não só pela quantidade de variáveis que influenciam, mas principalmente pela diversidade de tipos de comidas e serviço. Se fosse para dizer o que é melhor, teríamos que criar classificações para comparar coisas semelhantes, o que não é o caso, né?

Então o motivo de ser inesquecível fica a cargo do narrador. Talvez o primeiro post com essa temática devia ser o meu, mas um amigo se superou e já me mandou um email com seu relato. Aliás já faz uns dias que este relato está em meu computador, mas as fotos só chegaram hoje, o que vai criar uma semelhança não planejada com o Caderno Paladar do jornal Estado de São Paulo de hoje…

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Meu almoço inesquecível, por Tiago Garcia Clemente.

Nunca compreendi muito bem esta questão de gourmet. Para falar verdade sempre achei uma frescurada! Aquela porção ridícula no prato e a conta no final nada ridícula.

Para mim prato bom é prato cheio! Cheio de carne ou massa, batatas ou, por que não,  feijoada. Isso sim é uma refeição digna! Tanto que gosto de comer em boteco  que serve prato farto que satisfaz!

Recentemente estava fazendo uma viagem pelo Peru (brincadeiras a parte), e ao visitar Lima e caminhar pelas redondezas do bairro de Miraflores (equivalente ao bairro Jardins de São Paulo… será?) dei de cara com o Restaurante Astrid & Gastón na Calle Cantuarias. Já tinha ouvido falar deste restaurante por meio de reportagens em jornais e revistas; já tinha lido um ou outro comentário a respeito do Chef Gastón Acuria que se transformou em uma celebridade mundial (aliás haja Chef celebridade mundial hoje em dia, não?).

Ao olhar o relógio percebi que já era hora do almoço, mais precisamente, 12:10 pm e o restaurante estava fechado. Mas ao perguntar a alguns funcionários que por ali estavam, fui informado que o restaurante abriria às 12:30 e resolvi esperar.

Em questões de minutos eu não era mais o único a esperar. Uma fila de estrangeiros se formava; gringos ávidos para conhecer a comida do Chef Peruano. Pontualmente às 12:30 as portas do restaurante se abriram e a recepcionista logo me indagou se eu havia feito reserva. Diante de minha resposta negativa ela me informou que eu não sentaria no salão principal mas que poderia almoçar em uma das mesas do bar e que ali era servido o menu completo.

Logo que me acomodei o garçom veio apresentar o menu da casa e ofereceu a opção do “menu degustação” que era composto de 12 pratos dos quais dois eram sobremesa. Me informou ainda que a refeição toda duraria aproximadamente 3 horas e custaria $ 170 nuevos soles. Pensei comigo: Que pretensioso este menu, que puta frescura, vou comer estes 12 pratos em uma hora e meia e pronto!  Tomei aquilo como desafio.

A fome já arranhava as paredes do meu estômago então seria um desafio fácil. Bem, chegou o primeiro prato “Cebiche del amor”, não preciso dizer que era uma porção ridícula que foi devorada em questão de segundos. Ao terminar olhei para o garçom com sorriso sarcástico e desafiador como se os pratos seguintes fossem iguais ao primeiro e que eu realmente terminaria tudo em uma hora e bateria o recorde da competição criada pela minha cabeça.

O segundo prato chegou e o garçom resolveu explicá-lo e eu resolvi acompanhar a explicação sem qualquer interesse. Para mim eu estava ali estava como Don Quixote, brigando com meu inimigo imaginário. Mal o garçom terminou a explicação eu já tinha acabado o segundo prato. E olhava para ele com um ar de “é só isso que este restaurante tem para me mostrar?”

Passado alguns minutos veio o terceiro prato e novamente o funcionário tornou a explicá-lo e o meu ato se repetiu. Ao terminá-lo meu pensamento era o mesmo “puta frescura, nem sinto o gosto de tão pouca comida que vem em cada prato”.

O quarto demorou para aparecer (talvez o garçom propositalmente resolveu também me desafiar) e para passar o tempo comecei a ler o menu com a devida atenção. E não só. Passei a prestar atenção nas mesas em volta de mim e pude perceber que estava agindo como um ogro e tolo. Enquanto todos saboreavam os seus pratos e faziam os seus devidos comentários e os havia engolido e nem tinha percebido o que tinha mastigado, se é que tinha mastigado. Ou seja, o meu comportamento era completamente inadequado considerado o tratamento que cada prato provavelmente recebia na cozinha ao ser minuciosamente preparado.

Veio o quarto prato e desta vez pelo menos eu prestei  atenção na explicação e consegui me libertar da ridícula competição interna. Aprecei cada garfada e colherada na comida, procurei sentir cada ingrediente e entender o conjunto de sabores apresentados.

E assim foi sucessivamente nos demais pratos da degustação, até o último que era uma sobremesa, a “Esfera de chocolate” simplesmente deliciosa. A minha opinião não era isolada, pois na mesa ao lado um casal inglês sentiu orgasmos ao comê-la (ou melhor, degustá-la). Eu arrisco em dizer que foi a primeira vez que aquele casal alcançou o orgasmo juntos.

Ao final eu estava completamente satisfeito, tanto pela fome saciada, como por ter me emocionado com uma refeição e, principalmente por ter conseguido perceber que comi ingredientes muito bem preparados, simples e diferentes.

E a minha  felicidade foi completa, pois terminei o menu degustação, inclusive tirando fotos, em 2horas e 48 minutos… Chupa, venci!

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3 opiniões sobre “O primeiro menu degustação a gente nunca esquece

    […] empolgou com o post abaixo? Quer ver o seu relato publicado […]

    […] do sucesso do post do Tiago sobre o seu primeiro menu degustação, resolvi também contar a minha primeira experiência. Meu relato não vai ser divertido como o […]

    Perdendo o meu emprego « MIMO Restaurante disse:
    13/10/2011 às 1:09 PM

    […] daria um presente especial na abertura do MIMO para o melhor relato. Mas depois da publicação do primeiro post do amigo Tiago Clemente, outros ficaram tímidos e estão me enrolando até […]

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