A difícil arte da escolha

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Já comecei a retratar aqui a saga da escolha de fornecedores para a execução do projeto do restaurante e confessei que apesar da utilização de técnicas administrativas, a intuição é sempre um dos fatores determinantes.

Logicamente para alguns itens, que convencionei chamar de “commodities”, o menor preço é o que importa (aqui estão, principalmente, os materiais de obra civil). Já em relação à execução, montagem e instalação de equipamentos personalizados, o relacionamento cliente x fornecedor teve também um grande apelo.

Boa parte dos fornecedores já estão definidos e os contratos sendo assinados. Assim que eu sair dessa fase de escolhas e contratações para a administração dos trabalhos contratados, vou relatar aqui uma a uma as minhas opções.

Mas na montagem de uma empresa o que não faltam são escolhas e definições. E um item que vem me deixando sem sono ultimamente é o cardápio.

Eu contratei uma consultoria para me auxiliar no desenvolvimento deste e os trabalhos já estão bem avançados. Muitos pratos foram pensados, testados, alterados, incrementados, simplificados. E sempre que se revisita um ou outro item há uma expectativa não 100% assentada. Pode parecer coisa de louco, mas para mim ler um cardápio, tal como ler um livro, é participar de uma conversa, interagir com um conceito. Mas esta conversa ainda não tem início, meio e fim. Para tanto é preciso resumir, é preciso de sintaxe, algo que sempre me foi penoso e não muito trabalhado na minha vida de prolixa advogada.

Sair elaborando vinte pratos diferentes até não é tão difícil, difícil é escolher três entre eles que melhor expressem o seu conceito, que com simplicidade agradem o seu público, que sutilmente toquem a emoção e com isso indiquem o rumo que você quis dar à conversa. Escolhas…

Ainda tenho que lidar com o fato de que o cardápio é uma obra viva, nunca acabada; são capítulos que quando finalizados abrem portas para outros seguintes, e os novos, mais do que os primeiros, são aqueles que vão ter a influência do meu público, do mercado, da moda e das novas tecnologias. Deve ser como se sente um roteirista de novela que tenta se manter fiel a sua história pois acredita no enredo e seus personagens, mas acaba adaptando aqui e ali para agradar o ibope, para destacar um ou outro ator cuja interpretação caiu no gosto do público.

Talvez eu precise começar a assistir novelas para me decidir. Enquanto isso minha conversa, mesmo que saborosa, ainda está sem fim.

 

Descartados…

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