Mês: Dezembro 2011

Paradise Lost

Publicado em

Hoje fui à obra com uma câmera fotográfica melhor do que a do celular na esperança de poder melhor retratar seu atual estágio.

E tudo que me veio à cabeça enquanto procurava algum ângulo interessante (do ponto de vista leigo, obviamente) era:

Long is the way
And hard, that out of Hell leads up to Light.

Não lembrava de onde era essa frase o que me fez recorrer ao santo Google. E aí, ah sim, John Milton, Paradise Lost… Paradise Lost? Algo tão recente quanto um poema escrito em 1674 é o que me vem à cabeça nesse momento?

Não, eu nunca li o poema completo. Salvo raríssimas exceções, não me atrai essa poesia “cristã” sobre a origem do mundo, Adão e Eva, etc.., mais um motivo a constatar como esta obra tem deixado minha cabeça um pouco confusa.

Se alguém ficar interessado, na web tem as versões original e traduzida para o português do clássico literário. Quem sabe se a obra não termina antes de eu conseguir ler o poema completo em inglês arcaico?

Quanto às fotos, não, não ficaram boas. A máquina melhora mas não a fotógrafa.

The Guardian e suas pautas “polêmicas”

Publicado em

Eu adoro os ingleses (para quem me conhece pessoalmente, a resposta é não, não estou falando sobre isso que vocês estão pensando e ponto final, porque é feio fazer piada interna em locais públicos).

Inclusive eu li um livro da britânica Kate Fox chamado “Watching the English” (desconheço se há uma versão em português para este livro – acredito que não, nossa curiosidade sobre os ingleses não é tão aguçada assim) que avalia sob um ponto de vista antropológico, a cultura, o sarcasmo e os “bizarros” códigos de conduta dos seus conterrâneos. Diversão garantida para aqueles com um mínimo de percepção que já visitaram a terra da rainha que seja por 24 horas.

E essa introdução é só para dizer que de tempos em tempos eu me pego lendo o The Guardian (uma das maravilhas e das maldições da internet é o acesso a tantos jornais de tantos países) e fico alucinada com as pautas lá encontradas. Me seguro para não escrever um post sobre cada coisa que me diverte ao ler o periódico. Isso sem falar o tanto de pesquisas e estudos acadêmicos para provar obviedades do dia-a-dia (Ahh… porque eu sou uma “estatística-freak” mas mesmo assim não estudei a disciplina suficientemente para ir parar num centro de pesquisas desses!).

Se não fosse o The Guardian, se não fossem os ingleses e seus tabus, como pensaria eu (e você) sobre questões polêmicas como:

É justo restaurantes cobrarem uma taxa de clientes que levam crianças a restaurantes, mesmo que eles sejam bebês de colo e não utilizem cadeirões ou se alimentem no estabelecimento? Pense a respeito aqui.

É aceitável, ou o quão e como é aceitável deixar pessoas usarem o toalete de seu estabelecimento sem estarem consumindo no local? Tá bom vai, na terra do carnaval e dos inúmeros blocos e micaretas de rua, os donos de bares e restaurantes do Rio e de Salvador sabem bem teorizar sobre o assunto. Mas veja aqui a opinião dos ingleses com seus pints.

E eles também não perdem tempo em cutucar os americanos que herdando parte dessa cultura britânica andam discutindo se pizza é um vegetal (sim, você não leu errado a minha tosca tradução, mas leia o original aqui).

Mas bom é saber que depois da reviravolta gourmet dos ingleses (da qual já falei aqui) a vida o fish and chips anda em queda, como noticiado pelo querido Guardian.

 

Certificado Digital

Publicado em

Alguns bons anos me separam dos dias em que eu heroicamente enfrentava a burocracia fiscal e tributária deste país. Mantenho na memória inúmeras discussões com fiscais, contadores e afins, na minha eterna chama juvenil de achar que a razão cartesiana, o tecnicismo moderno e a lógica jurídica pudessem superar as barreiras de um complexo sistema distanciado de sua finalidade objetiva principal.

Eu cansei. Hoje para entrar em uma discussão muito me custa. Não me vanglorio dessa posição apática, muito menos de engrossar as estatísticas dos alienados do mundo moderno, mas a sociedade anda exigindo muito de nós e eu foquei somente em contribuir com as pequenas coisas que estão ao me redor.

Confesso que tenho conseguido dormir tranquila só de saber que reciclo meu lixo e contribuo com uma organização efetiva e socialmente responsável (não vou nem mencionar a sigla ONG porque até isso já nos faz torcer o nariz).

No entanto essa semana voltei a me revoltar. Com uma questão pequena, e de uma forma que me incomoda: revolta sem muito embasamento técnico a suportar meus argumentos. O fato é que me pediram um pouco mais de R$ 400,00 porque eu estaria obrigada a ter um “e-CNPJ” ou seja, uma versão eletrônica do meu CNPJ para garantir a “autencidade e integridade” das minhas transações blá, blá, blá.

OK, não sou contra a tecnologia, não sou contra facilitar a vida dos contadores, mas “oi?” e esse custo para algo que vale só três anos. Porque estou “obrigada” a isso? Ninguém paga para ter um RG, um CPF ou mesmo um CNPJ. Porque tenho de pagar para ter um certificado digital que vai facilitar muito mais a vida do governo do que a minha mesmo? Será mesmo razoável?

As perguntas ficam sem resposta e o empresário é vencido pelo cansaço. Pois após falar com tantas pessoas despreparadas a dar as informações corretas, a entender o seu posto de vista e contra-argumentá-lo, você realmente quer pagar R$400,00 para ficar livre das discussões inúteis e focar nas atividades que vão possibilitar você ter renda para pagar todos esses R$400,00 que nos são abocanhados periodicamente.

Se ao menos isso fosse diminuir o custo da burocracia no Brasil… mas lógico que não, continuamos campeões disparados no ranking de países que mais gastam com burocracia, que mais mantém funcionários para atender às obrigações fiscais acessórias e que, portanto, perdem produtividade e competitividade.

Como empresária gostaria de me tornar menos combativa e revoltada do que como advogada, será que consigo?