Mês: Janeiro 2012

Como contratar uma obra civil?

Publicado em

Eu já devo ter falado aqui sobre tomada de decisões. Bem provável já que este é um dos maiores desafios quando você resolve trocar sua área de trabalho e, por isso mesmo, não tem o mesmo estofo ou a intuição afinada para decidir com certeza quase absoluta que está seguindo o melhor caminho, aquele que vai de acordo com o seu planejamento estratégico.

O que dizer se, quando você resolve mudar de profissão, você se dedica a estudar a nova para aclarar seus momentos decisivos mas em verdade antes de concretizar o novo negócio estes vêem em enxurradas no decorrer da obra civil e, claro!, seus conhecimentos de engenharia e arquitetura se resumem a zero podendo chegar a uma pontuação 2,5 com a ajuda do Google e alguns telefonemas a amigos?

OK, siga em frente e se tiver que mudar a sua decisão, mude. Foi assim comigo.

Uma das primeiras questões que me foram colocadas após definir o projeto arquitetônico do MIMO foi o regime de contratação da construtora.

Pra quem não entendeu, a questão é: contrato por preço fechado, sabendo de antemão o quanto vou gastar e pagando a cada etapa concluída e medida; ou contrato por administração, onde a construtora gerencia a obra e junto com você escolhe mão de obra e materiais de fornecedores que lhe são apresentados, recebendo um percentual de todos os valores contratados?

Muito influenciada pela opinião do arquiteto que preparou o projeto, fiquei com a segunda opção.

Foi feito um orçamento inicial no qual nos balizaríamos, mas o preço não era fechado. Achava mesmo que era a melhor opção o pagamento por administração: para uma controladora a ideia de ter que avaliar cada negociação, de compra de parafusos que seja, é genial!

E me parecia óbvio que uma construtora ao propor o preço fechado iria contabilizar certa “gordura”, não assumiria 100% dos riscos de mercado sozinha e, se pressionada pelos preços, poderia usar material não exatamente de primeira qualidade. Estava convencida. E assim foi.

E o fato é que recentemente mudei tudo. Renegociei o contrato e agora sigo por preço fechado. Foi uma decisão errada? Talvez não, mas o fato é: conheça bem os seus parceiros antes de tomar decisões do gênero.

Acredito que um regime ou o outro podem funcionar bem se o seu parceiro tem estrutura para trabalhar da forma que você pretende. Não adianta esmagar as pessoas na negociação de cláusulas contratuais porque se elas não forem cumpridas não há sanção que pague o seu stress e seu esforço de fazer as coisas andarem. Sem contar que tempo é dinheiro e, na construção civil, é muito dinheiro. O tempo que decorre pra tudo entrar nos eixos vai contra você querido empreendedor.

Pelo menos um pouco de experiência eu adquiri, não?

 

Hoje em dia não faço ideia quantos sacos de cimento tem nesse banheiro…

Anúncios

Acompanhando a obra

Publicado em Atualizado em

Para aqueles que me perguntam “e como vai a obra?” respondo com as fotos abaixo tiradas ontem.

E para aqueles que estão contando, sim já estamos em obra há exatos seis meses e seis dias.

E ainda, se você é como eu que não atrasa para chegar aos seus compromissos, nem para entregar seus trabalhos no prazo combinado, e por isso mesmo não consegue se lidar com “verdades absolutas” como “toda obra civil atrasa (e muito)”, junte-se aos inconformados!

Quem sabe a gente pelo menos não reúne informações e ideias suficientes para entregar aos profissionais da área um manual de como elaborar corretamente um cronograma de obra? Ou ainda, como conquistar um cliente não pelas promessas que ignoram qualquer provisão de contingências (não ensinam estatística nas faculdades de engenharia?) mas sim pela entrega do resultado contratado?

OK, às fotos.

Momentos de Inspiração (ou meu momento auto-ajuda)

Publicado em

Tem momentos que a gente pára e questiona nossas vidas, nossas realizações (ou falta delas), nossos sonhos e nosso conformismo.

Às vezes esse momento passa e a vida continua, às vezes mudamos algo significativo – como foi meu caso quando deixei de lado o conforto de minha profissão para encarar o desafio de abrir o MIMO – buscando fazer uma melhor diferença no mundo que vivemos, mas a luta é constante e é fácil esmorecer.

Sempre que me sinto desgostosa e não orgulhosa das minhas ações e resultados, sempre que sinto necessidade de mais força e coragem para poder me orgulhar de minha trajetória, busco histórias inspiradoras que me mostrem o quão pouco ou nada fiz, mas o quão importante é continuar acreditando.

E dia desses me deparei com uma palestra do indiano Bunker Roy que fundou a universidade dos pés descalços.

Me emocionei profundamente e resolvi dividir suas palavras com vocês. Eu que vivo buscando respostas para todas as questões em livros, mas que antagonicamente resolvi trabalhar com hospitalidade porque sentia falta de trocas pessoais verdadeiras, levantei da cadeira mais inspirada e com gana de finalmente fazer vontades saírem do campo das ideias para a batalha.

Tenham todos um bom dia!

Com a palavra, Bunker Roy (estou estragando e já citando a conclusão da palestra, mas vale a pena assistir na íntegra):

“Procurem soluções no interior, e escutem as pessoas que têm a solução diante de vocês. Elas estão em todo o mundo. Nem sequer se preocupem. Não escutem o Banco Mundial, escutem as pessoas da terra, elas têm todas as soluções do mundo. Terminarei com uma citação de Mahatma Ghandi: ‘Primeiro eles te ignoram, depois riem de ti, depois combatem-te, e depois tu vences’.”

Link do vídeo completo.

 

Pesos e Medidas

Publicado em

Quem nunca ficou com dúvida ao separar e medir os ingredientes de uma receita? Se é fato que hoje a maioria dos livros buscam seguir uma padronização, indicando a quantidade em peso dos ingredientes, ainda muitos gostam das tradicionais medidas de colheres e xícaras de chá (já que balança ainda não é item obrigatório nas cozinhas caseiras).

Eu não sei se vocês são partidários das medidas tradicionais caseiras, mas eu definitivamente não. Talvez porque só aprendi a cozinhar depois dos meus 20 anos de idade, sem ajuda da avó ou da mãe mas sim de cursos especializados, ou então porque nunca tive uma xícara de chá na minha casa (serve caneca?), fato que sou fiel à balança.

Tenho quatro delas em casa e não que necessite de tudo isso. Na minha neurose não consigo confiar na precisão de equipamentos de origem chinesa, muito menos num prazo de vida útil muito alongado principalmente considerando a quantidade de líquidos e farinhas que derramo nas pobres balanças.

Alguns livros possuem tabelas de equivalência e eu já tinha feito uma “cola” para mim com as informações sobre ingredientes mais corriqueiros.

Como minhas anotações foram parar no lixo após eu solicitar com cautela ímpar à moça que limpa meu apartamento para se esmerar mais no trato da cozinha, tive que apelar para o Google e eis que achei uma tabela incrível que uso desde então. É só acessar este link da Unirio e ser feliz.

Ainda bem que meus ímãs de geladeira que traduzem o sistema de metragem norte-americano para o nosso ela somente lustrou, minha larica de preparar receitas do livro da Nigella agradece!


 

 

 

 

 

Na mídia

Publicado em

Eu deveria ter retomado o blog pelo menos um dia antes de o MIMO ser citado pela primeira vez na mídia, mas já que não o fiz pelo menos conto aqui que graças ao famoso “estar no lugar certo na hora certa” fui entrevistada e o restaurante já ganhou sua primeira notinha!

Para quem não viu o caderno sãopaulo do jornal Folha de São Paulo desse último domingo (15.01.2012), segue com orgulho!

Feliz Ano Novo + Férias + Livros

Publicado em

Feliz Ano Novo! Com dezessete dias de atraso, mas não com menos força de expressão.

2012 será o ano da inauguração do MIMO e mais do que nunca fiz votos, promessas e planos… mais do que nunca sonhei com um feliz ano para mim e para todos os que me rodeiam… sonhei em estar plena e satisfeita, mas principalmente em satisfazer e mimar aqueles que poderão ir ao MIMO este ano (e todos os seguintes).

Fiz um recesso de um mês aqui no blog mas não dos meus afazeres diários de montagem do restaurante e acompanhamento da obra. Volto com muitas coisas a contar aqui, apesar de, sim, ter tirado umas férias – 10 dias entre Santiago do Chile e Mendoza.

Este ano vem para mim carregado de expectativas, vem como o troféu daquilo que lutei em 2010 e 2011. Nunca fui de fazer balanços nem de planejar o futuro, mas minha vida deu tantas e diferentes voltas que estes últimos 30 dias tirei para meditar e avaliar, aprender e buscar, planejar e me fortalecer.

Estão vendo porque andei longe daqui? Não queria proferir palavras vazias de auto-ajuda ou ainda impropérios de raiva e insatisfação aos meus leitores enquanto buscava o equilíbrio entre aprender com minha retrospectiva e planejar 2012.

Afinal estou aqui para contar o dia-a-dia de uma obra, da montagem de uma empresa, algumas curiosidades e outras opiniões sobre assuntos diversos desse novo mundo gastronômico que resolvi ingressar, mas só.

E para começar devagar vou contar que férias para mim normalmente significa ler muitos livros. E entre os queridos Orhan Pamuk e o Philip Roth intercalei três livros adorados por gourmets: Ao Ponto do Anthony Bourdain; Sangue, Ossos & Manteiga, da Gabrielle Hamilton (certeza que alguém já deve ter dito que ela é o Bourdain de saias então nem vou me atrever a fazer este comentário); e o curtinho mas gracioso Só os patetas jantam mal na Disney, do Washington Olivetto.

Também não vou fazer nenhuma resenha dos livros já que pessoas mais competentes já as fizeram e basta buscar alguns textos no Google para se inteirar. Só quero dizer que são livros divertidíssimos, de fácil leitura, os dois primeiros com temas complexos colocados de forma leve que combina com férias de verão.

No campo da literatura gastronômica, que comecei a apreciar em 2008, os livros que mais me surpreendem positivamente ainda são os auto-biográficos. O Bourdain não perde a mão nessa continuação de seu livro de estréia, o best-seller Cozinha Confidencial. E a Gabrielle é cor e sabor, é a alma feminina contemporânea, sem pieguices, longe de estereótipos e com complexidade de desafios ímpar. Assim como o é o Prune, seu restaurante em Nova Iorque.

Aliás se tiver que escolher em visita à cidade, vá ao Prune da Gabrielle e não ao Les Halles que não é mais chefiado pelo Bourdain mas ainda nada muito no sucesso dos livros dele (aos marmanjos de plantão, eu já jantei ao lado da Natalie Portman lindíssima lá, e ela é frequentadora assídua).

E mais dicas não dou aqui porque Washington Olivetto faz isso com muito mais prosa em “Só os patetas jantam mal na Disney”. Vá com fé, você devora o livro em meia hora e já fica pensando como vai fazer para ganhar dinheiro (em um pouco mais de meia hora) que seja suficiente para visitar todos os lugares que ele cita.

Boa leitura!