Os muitos milhões

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Esta semana a Veja SP publicou uma reportagem dando conta de alguns dos restaurantes que devem abrir ainda este ano, movimentando o super aquecido e super valorizado mercado gastronômico paulistano. Mesmo assunto da então já publicada coluna da Alexandra Forbes no Caderno Comida da Folha de SP de 09.02.2012 (ei vocês, incluam aí nestas listas o MIMO!).

As casas citadas são novos empreendimentos de figuras já consagradas no mercado gastronômico, sejam Chefs ou restaurateurs. Filiais, novas parcerias, repaginações, novas cozinhas a serem exploradas.

Como uma nova empreendedora no ramo, que não possui nenhum sócio com curriculum na área, ler este tipo de reportagem traz certa confiança e conforto ao perceber que muitas grifes gastronômicas continuam a investir pesado e o mercado ainda não deu sinais de estagnação ou saturação.

Mais opções, mais concorrência… se saudável e ética… só tem a contribuir com a profissionalização do mercado, com a busca da eficiência técnica com foco na qualidade do bem servir, o que traz ganhos não só aos consumidores.

Se é fato que a quantidade de novas casas não assusta, não posso dizer o mesmo das cifras envolvidas. O que dizer do Girarrosto que abre amanhã (14.02.2012) com investimento total estimado em 10 milhões de reais e retorno esperado em 8 anos?

8 anos? No Brasil? Sem qualquer desrespeito à nossa economia que vai de vento em popa, mas é muito arriscado, não? Fico imaginando o tanto de hedge que os não midiáticos investidores buscaram para se salvaguardar.

Se dez milhões assusta, os outros empreendimentos que giram em torno de 3-4 milhões podem até soar mais razoáveis, mas me parecem, assim divulgados, uma tentativa de impor uma barreira de capital inexistente nesse ramo.

Restaurantes de “luxo”, de “grife”, requerem maiores investimentos, fato. Seja pelo ponto, ou pela necessidade de se contratar um arquiteto também de prestígio que vai te fazer comprar peças decorativas dignas de galerias de arte. Mas isso é tudo? Não, claro que não! A comida tem que brilhar ainda mais que os reluzentes lustres italianos. Tem que satisfazer, tem que estar antenada nas novas tendências mundiais; a equipe deve estar afiada, treinada por um grande Chef e outro grande Maitre, talento e servidão, simpatia e delicadeza. Tudo isso também tem um preço alto e “o Brasil não é para principiantes”*.

Mesmo assim outras casas conseguem ser inauguradas com muito menos dinheiro e fazendo, porque não, muito mais sucesso. Salva de palmas para os menos capitalizados, mas por muitas vezes mais focados, mais perseverantes e mais apaixonados empreendedores. Quero crer que há espaço para todos e não me assusto com cifras que pretendem alçar São Paulo ao maior pólo do mercado de luxo mundial.

E quanto ao MIMO? O que posso dizer, sem muito orgulho, é que o investimento inicialmente pretendido precisou de reforços. Construir parede por parede eleva o padrão do estabelecimento a milionário; e se não segurar e controlar cada nota fiscal, cada contratação, cada “oportunidade” a ser contratada facilmente muitos milhões e sócios investidores milionários seriam necessários. O retorno? Em 3 anos, por favor!

 

 

 

*frase de Tom Jobim

 

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Uma opinião sobre “Os muitos milhões

    Atendendo a pedidos « MIMO Restaurante disse:
    31/08/2012 às 9:04 PM

    […] Os muitos milhões […]

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