Mês: Março 2012

Sexta-feira

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Eu tenho alguns hábitos na sexta-feira.

Começo lendo o jornal pelo encarte/guia “Divirta-se”. Já passei de relance por todas as reportagens antes mesmo de terminar de preparar meu café. Nada como começar o dia planejando o fim de semana, aumentando a lista de filmes a assistir, restaurantes a conhecer, exposições a visitar (ainda que nunca consiga fazer tudo o que gostaria; alguém consegue?).

Sempre mando uma mensagem, via WhatsApp, com o bordão “Thanks God it’s Friday” para um grupo de amigas. Isso quando elas não são mais rápidas e já lotaram de mensagens meu celular antes de eu terminar de lavar minha xícara de café.

Rego as plantas (isso quando não resolvo acordar cedo para ir na Feira de Flores do Ceagesp). Outros dias da semana eu posso até esquecer dessa tarefa e algumas plantas sofrem com isso, mas nunca de sexta-feira!

Vou para a reunião semanal da obra do MIMO, onde, normalmente, todo esse bom humor de pré-início de fim de semana se esvai. Mas hoje não tenho reunião de obra que foi postergada para segunda-feira – uma temeridade já que às segundas o que rege é o mal humor e a impaciência… enfim.

E para finalizar, um hábito das quartas-feiras foi transferido para as sextas, pois afinal não existe dia melhor para isso: vou almoçar com um amigo, sempre em um restaurante diferente que eu escolho (ele é um “gentleman”). Risadas e boa comida garantidos, ou quase sempre, já que às vezes eu escorrego na escolha e nossa vontade é sair correndo e ir até o Bar do Estadão comer um sanduiche de pernil.

Eu não sei se com a abertura do MIMO esse último hábito da sexta-feira vai conseguir se manter. Uma sexta-feira por mês, ao menos? Espero que sim, ele é uma das melhores companhias para quem curte ir a um restaurante, um bon vivant e gourmet apaixonado, que cozinha e recebe muito melhor do que eu quando se inspira em fazer jantares memoráveis em sua casa.

Eu podia já ter escrito sobre alguns desses almoços semanais aqui, mas me custa tentar dar uma de crítica gastronômica num mundo já lotado de tal. Mas vou começar a dividir pequenos momentos sublimes com vocês, como a porchetta que dividimos no Girarrosto; ou o Bellini que tomei em quase um gole no nosso último almoço no Spago para relaxar do stress da obra enquanto mal chegava nossa entrada perfumada de alho.

Hoje? Vamos no Epice. Restaurante que gosto muito e já visitei algumas vezes. Me parece que completou um ano e estão comemorando com um fenomenal menu degustação. A acompanhar.

Voilá! Bom fim de semana a todos!

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Gênios ou heróis?

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Quem um dia não se decepcionou com o dia-a-dia de sua profissão? O trabalho, o cumprimento de metas estão muito mais ligados a uma infinidade de tarefas repetitivas que requerem mais de nossa atenção do que do intelecto criativo.

Nosso campo de ideias é fértil e inesgotável, mas nossa capacidade de ação nem sempre se nutre da mesma motivação.

Eu não sei de onde vem essa cultura de se prestigiar tanto mais os idealizadores em detrimento dos realizadores, até porque em nossa infância sonhamos em ser heróis, quase nunca gênios (pelo menos na minha geração e outras antecessoras).

É fácil se frustrar quando romanceamos nossa profissão e valorizamos o objetivo a ser alcançado sem reconhecer a beleza do heroico esforço necessário ao processo de lá nos levar.

Da ideia concebida até o alcance bem-sucedido do objetivo proposto existe um penoso caminho de pequenas realizações que dependem do trabalho diário (massante, chato, penoso…) e da coordenação do trabalho (massante, chato, penoso…) de várias outras pessoas que não dividem consigo a mesma visão romântica de sua ideia.

É claro que sem grandes ideias não existem grandes realizações, mas são lados de uma mesma moeda e tal qual deveriam ser respeitados.

E porque estou falando tudo isso? Dois são os motivos.

Porque esta inquietação é o que me levou a aceitar o desafio de me tornar uma empreendedora. Como advogada, passei a maior parte da minha vida profissional sendo consultora e ditando o certo e o errado, auditando a ação de terceiros, indicando caminhos e metas, mas (quase) nunca tendo que implantar e perpetuar as ações ditas corretas.

Segundo, porque na obra do restaurante presencio, muito mais do que em todos os outros capítulos de minha vida profissional, um efetivo prejuízo pela exagerada valorização das ideias e seus idealizadores.

As ideias são tão valorizadas que ninguém olha com a devida atenção para as diversas ações necessárias à sua concretização. E a discrepância entre a mão de obra idealizadora e a realizadora é tão grande que fica até compreensível o fracasso da construção civil brasileira.

OK, ninguém sonha em ser pedreiro, em carregar sacos de cimento, mas alguém poderia sonhar em implantar a melhor ação para esse saco de cimento cumprir a sua função de forma limpa, organizada e ágil, não?

Os arquitetos pensam artisticamente, os engenheiros normativa e estruturalmente, e quem concilia ideias, analisa minuciosamente as diversas implicações práticas de cada vetor posto no projeto? Quem, com cuidado, mede o terreno para ver se o desenho feito lá cabe? Quem olha cada ponto, cada bloco, cada fio? No escritório, o estagiário. Na obra, o pedreiro. Nada contra os dois, mas se estes são os heróis cadê os geniais graduados a lhes orientar e supervisionar? Muito atarefados com suas ideias, não?

E assim se perpetua o abismo entre o criar, o pensar; o realizar, o fazer.

Ah! E me desculpem a licença poética para a utilização do termo gênio, já que gênio, gênio mesmo, aquele “hors-concours”, não só projeta, faz. Mas quantos Michelangelos existiam, existem e existirão no mundo, capazes de não só projetar o teto da Capela Sistina como de executar todos os seus afrescos dispensando qualquer ajudante?

Azulejos

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Começaram a colocar os azulejos e a montar a câmara fria. Uma leve aparência de cozinha começa a se instalar. Mas infelizmente por ora é tudo que tenho para dividir aqui, afinal ninguém quer ouvir o quão atrasada já se encontra, novamente, a obra, quer?

Paciência devia ser o primeiro item indispensável da cartilha do empreendedorismo.

Vinho brasileiro: vai começar a polêmica

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Polêmica das “bouas” com a publicação hoje da Circular 9/2012 da Secretaria de Comércio Exterior (órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) que estabelece a abertura de investigação para aplicação (ou não) de salvaguarda às importações brasileiras de vinhos. Leia mais aqui.

O que se está em discussão é: deve o governo brasileiro criar medidas para frear a importação de vinhos e assim não “prejudicar” a “sofrida” indústria brasileira?

Sejamos francos vá, sabe o que isso vai significar? Que nós consumidores é que vamos pagar o pato. Porque vão acabar taxando ainda mais a importação, os vinhos estrangeiros ficarão mais caros do que já absurdamente são.

E o vinho brasileiro? Ora, vai continuar mediano e também com preço muito além do merecido, mandando pras nuvens a equação do custo x benefício.

Ah Governo, deixa a economia se auto-regular. Não é assim que a indústria brasileira vai ganhar competitividade, não é assim que o nosso “terroir” vai de repente se transformar para entregar uma matéria prima digna de uma louvável bebida.

E produtores brasileiros: Oi? Mais esforço na produção e menos energia gasta com políticos e politicagem, não?

Mesmo que por razões pessoais me doa admitir, a indústria brasileira de vinhos errou a mão.

Esse é o presente que recebemos no dia do consumidor. Vai Brasil!

 

Garphonic

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Hoje vou me ater a indicar um blog recém lançado bem bacana.

É o Garphonic, a unir dois temas que são paixão de muitos por aí: gastronomia e música (eu incluiria outro item: fotografia. Como um bom blog ele tem belas fotos. Ponto. Até porque quem hoje em dia, com tantos recursos e tanta informação rodando por aí, não é um pouco cozinheiro, DJ e fotógrafo?).

Eu mesmo me arrisco aqui a falar um pouco de tudo já que este é o blog de um restaurante em construção que servirá não só comida como música e um bom papo a seus clientes, certo?

Vou acompanhar! Vá lá e veja você mesmo se os meninos prometem ou não.

Bem-vindos à blogosfera!

8 meses

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Hoje é dia de acender velas! Completo 8 meses de obra. Bem que gostaria de postar fotos para mostrar o status quo para vocês, mas não fui e nem vou à obra. Culpa da febre e da dor de garganta que me impedem de pedalar até lá no dia do rodízio.

O que posso fazer é contar que já estou comprando alguns e terminando a negociação de todos os outros revestimentos: pisos e paredes; além de toda a marmoraria: pias de banheiros e balcão do bar.

Querem saber o que está sendo comprado? Vamos lá:

Piso Drenante Braston, para a área de espera.

Piso Castelatto Paris 1×1 branco, para o salão.

Piso Gail linha Kitchen Kera Floor, para o bar e a cozinha.

Piso Castelatto Madeyra Vecchia, para a horta.

Piso e Paredes: Porcelanato Broadway Lime, para os banheiros.

Paredes: Pastilhas Vidro Real, para os banheiros.

Pias de Marmol, para os banheiros e lavatório.

Marmoglass para o balcão do bar.

 

E só pra comemorar que o ECAD reviu seu absurdo posicionamento sobre blogs que postam links do YouTube, vou indicar as músicas que me embalam enquanto escrevo o post de hoje.

 

 

Shokunin

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Comecei a semana inspirada por um pequeno artigo da New Yorker sobre o “sushi chef” Jiro Ono e o documentário “Jiro Dreams of Sushi”. Vale a pena ler a íntegra do artigo aqui.

Na verdade é um misto de inspiração e incômodo. Sabe quando você lê uma história de vida e querendo se justificar do porquê não ter a mesma genialidade, perseverança e força de vontade, cria todo um rol de argumentos factíveis que o colocam como vítima do sistema? Pois é. Vou explicar.

Jiro Ono possui um pequeno restaurante onde serve sushis em Tokyo. Segundo a New Yorker cobra algo como U$370,00 por uma refeição que dura uns 20 minutos. É fácil conseguir uma reserva lá? Claro que não. Você vai esperar alguns meses e usar algum tráfego de influência OK?

Possui três estrelas Michelin, um belo faturamento garantido pelas reservas antecipadas e uma história de vida impressionante que mais só vou saber quando conseguir ver o documentário (isso se vier parar no Brasil).

Pensa num japonês que não só respira, mas vive e exemplifica a cultura da constante busca da perfeição pela lenta, concentrada e analítica repetição incansável dos movimentos do artesanato. Como dito na New Yorker: kaizen*!

Pensa num Chef de cozinha que pode se dar o luxo de massagear um polvo por 40 minutos antes de servi-lo. Pode se dar o luxo de sempre comprar o melhor do melhor dos melhores ingredientes para servir. Que pode exigir fidelidade e respeito de toda a cadeia de fornecedores não aceitando quem não compartilhe com ele essa cultura da busca incessante pela perfeição.

Sentiu o recalque no “pode se dar o luxo’?

Diria eu: porque quem “pode se dar o luxo” senão aquele que tem 3 estrelas Michelin e um gordo faturamento garantido?

Peraí, mas a questão é: esse é o resultado visível e atual do trabalho, da perseverança, da ética e da filosofia de uma vida inteira, não?

Aí começo a me questionar. Sim, porque é claro que me inspiro com essas histórias. É claro que busco a perfeição para o MIMO que é hoje o meu projeto de vida. Mas não posso dizer que tenho sucesso em aplicar ou exigir diariamente perfeição em todos os detalhes do processo de meu trabalho.

Sou vencida porque tenho pressa. Fui vencida muitas vezes na obra do restaurante. Quis o melhor, busquei o melhor, planejei o melhor, mas longe estou de construir algo que beire a perfeição. As justificativas são diversas e é fácil achar quem vá passar a mão na minha cabeça e me confortar porque tocar uma obra no Brasil, abrir um negócio seguindo a burocracia brasileira, é coisa de maluco.

Mas quem disse que a vida do Jiro Ono também foi fácil?

Pois é. Perseverança. O que muitos de nós precisamos é mais concentração, mais ação e menos falação. Precisamos parar de admirar e sonhar para trabalhar e, sim, lograr e vencer. Precisamos não aceitar, mesmo que a agenda e os recursos sejam curtos e exijam rapidez de soluções.

Escolher e seguir um caminho que seja tão perfeito que te ilumine. Saber que a arte está na busca, entender que a perfeição é inatingível mas o processo é que nos eleva.

E ver o trailer desse filme me lembrou um pequeno livro chamado “A arte cavalheiresca do arqueiro zen” de Eugen Herrigel. Vá lá. Tem o livro em PDF na internet.

Sonhando…

*Kaizen (do japonês 改 善, mudança para melhor) é uma palavra de origem japonesa com o significado de melhoria contínua, gradual, na vida em geral (pessoal, familiar, social e no trabalho). Pode ser visto como um processo diário, cujo propósito vai além de aumento da produtividade. Quando corretamentamente executado, é também um processo que humaniza o ambiente de trabalho, elimina o trabalho duro, ensina as pessoas como realizar experimentos no seu trabalho usando o método científico e também como identificar e eliminar desperdícios nos negócios. Em geral, o processo sugere uma relação humanizada com os trabalhadores e com aumento de produção. (Wikipédia)