2 + 2 = 66

Publicado em Atualizado em

Já contei para vocês que minha formação inicial é Direito, tendo eu desfrutado mais de dez anos da vida de advogada. E por mais que muitas facetas do Direito ainda me atraiam – pelo menos sob um ponto de vista conceitual e filosófico – nada mais confortante hoje em dia do que me pautar na certeza e lógica matemáticas.

Lembro mesmo do dia em que, iniciando meus estudos de administração, fui apresentada à estatística – o mundo adquiriu um novo sentido para mim e não vivi mais sem uma planilha de Excel e seus muitos recursos.

Pena que uma das lições dessa obra é que a matemática vive na teoria tão distanciada da prática como muitos dos nossos princípios constitucionais.

Nada é exato, nem mesmo a distância entre duas paredes. Tem a medida que consta do projeto, aquela medida bem porcamente com uma trena no terreno (é difícil perceber que se você não deixar a trena reta e rente ao chão a medida não vai ser exata? e sou eu quem tem que falar isso?), tem mais uma obtida após a parede rebocada, e a final só com o revestimento acabado.

Os quantitativos não batem nem para se fazer compra de material de construção. Ah vá, mas fica tranquila porque você tem que comprar tudo com uma “folga” de 10% mesmo já que sempre se perde algo na obra (se perde? sério? como? cai no chão e quebra? corta errado? a medida está errada? Só eu mesma que fico indignada em ter que pagar 10% a mais por conta de descuidos humanos?).

E convenhamos, se eu aplicar 10% a mais sobre uma base de cálculo já mal calculada e (sempre) super valorizada, posso comprar algo como 13% ou até 15% a mais de material não? Quem consegue 15% de aumento assim fácil do chefe?

E o orçamento? Bom nem vou mais vociferar aqui porque já fiz um post com a minha indignação contra engenheiros que mesmo diante de uma formação na área de exatas não conseguem calcular com precisão mínima que seja o quanto vão gastar numa obra. Se é muita exigência pedir precisão porque não usar da estatística e calcular o mais próximo possível da realidade considerando a experiência em outras obras e, portanto, suas margens de erro, de desperdícios, de custos com imprevistos.

OK engenheiros, eu fiz essa conta. Não falei que sou apaixonada por estatística?

E ainda bem que hoje não é sexta-feira 13, porque sabe qual foi o índice de erro nas planilhas que me foram fornecidas. 66%. Juro! Melhor que 66,6%, não?

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2 opiniões sobre “2 + 2 = 66

    Gus disse:
    02/03/2012 às 3:41 PM

    Mütter, não é 6a 13, mas sua estatística esta dando 666…

    Será?!?!

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