Cronograma de obra/atividades

Nova Aparência

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Bem amigos da Rede Globo, a cara deste blog mudou um pouquinho, não? A minha ideia era já colocar o novo logo aqui mas, pasmem, não sei fazer isso.

Eu até tentei mas ficou bem tosco. Como o site todo deverá entrar no ar logo logo e este blog será só mais um dos atrativos da página final, abdiquei da tentativa e vou deixar isso por conta dos profissionais contratados.

O próprio logo, vou confessar, está um pouco como a obra aqui: acabado mas não 100%. Pronta a ideia mas não pronto o manual de marca e todas as suas aplicações. Em outras palavras, nada de gráfica ainda.

Tá quase. Tudo tá quase aqui. E quem segura minha ansiedade hein?

Nem o meu novo domicílio, vulgo cafofo, está 100%. Quem vê uns fios pendurados pelas paredes?

E sabem porque ainda tem fios?

Por que falta a instalação do sistema de som. Mas isso não significa que no cafofo as trilhas sonoras já não rolem a vontade, coisa que os leitores daqui já sabem, certo?

E essa vai inspirada na minha última ida ao cinema.

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Sentando seus males espanta

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Teve tempo, aliás um longo tempo, em que não era possível sentar no MIMO.

Parece uma coisa boba de se pensar mas o fato é que eu passava horas e mais horas na obra e não tinha uma singela cadeira. Quando batia o cansaço eu sentava no muro, numa pedra, ou no chão mesmo. Não preciso dizer que minhas calças estavam sempre esbranquiçadas de pó, quando não manchadas de lama.

Algumas profissões requerem que a pessoa esteja em pé a maior parte das horas úteis. Não a minha, ou a minha ex-profissão de advogada por assim dizer. Então a ausência de uma cadeira me trouxe dores na lombar e nas batatas das pernas, até que resolvi usar as meias SIGVARIS (uma meia calça concorrente da mais conhecida KENDALL).

O desconforto inicial passa depois de algumas semanas. O embaraço diante do marido/namorado não passa nunca.

Mas quem viu o passeio do São Lourenço pela obra já percebeu que o escritório está montado há algumas semanas e cadeira agora não falta. Mesmo assim a minha alegria era contagiante hoje quando os marceneiros começaram a montar os sofás que irão atender boa parte das mesas.

Até porque me economizará uma parte do discurso de apresentação da obra para os que aqui visitam: tá vendo esta base em alvenaria? aí serão montados os sofás onde estarão mesas de 70x70cm enfileiradas à frente…

Procurando a melhor cadeira.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Se bem que a playlist daqui às vezes anima a dar um voltinha um pouco mais longa por aí.

 

São Lourenço apresenta: o MIMO

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Não sou católica. Tenho minha fé em Deus e numa ordem suprema. Não cabe aqui explicar minhas crenças, mas o fato é que imbuída de minha fé, do meu respeito pelas religiões e Igrejas, e nas melhores intenções, comprei uma imagem do São Lourenço porque haviam me dito que é o padroeiro dos cozinheiros.

Lembro de ter visto algo do gênero no filme (ou no livro?) Sob o Sol da Toscana.

 

Como (quase) todos que vivem na era Google a ele recorro para qualquer pesquisa básica. Sem me aprofundar muito e sem verificar as fontes (desculpaê) o que pude descobrir após ler 3, e somente 3, artigos sobre o assunto foi que:

São Lourenço era um diácono que ajudava o Papa a administrar a Igreja, gerindo todos os seus bens (que nunca foram poucos, assim acredito eu desde que visitei o Vaticano).

Depois da morte do Papa ele teria distribuído os bens da Igreja aos pobres e necessitados para não entregá-los ao prefeito que assim exigia. Em época de tiranos malvados (já acabou?) São Lourenço acaba sendo condenado a morte e é colocado no fogo em cima de uma grelha (ahá!).

Daí vem o pulo do gato: sentindo o cheiro da sua carne assada, teria dito para seu carrasco: “Este lado já está bom pode virar”.

A figuração de São Lourenço é sempre acompanhada de uma grelha, símbolo do seu martírio, portanto sendo escolhido como padroeiro daqueles que trabalham na cozinha.

A história dele é bem mais romântica e inspiradora, procurem ler em fontes mais fidedignas vá.

Enquanto isso levei minha imagem hoje para passear pela obra.

E no melhor estilo “Amelie Poulain”, São Lourenço apresenta a vocês o MIMO:

S. Lourenço apresenta: Cozinha Refrigerada
S. Lourenço apresenta: Cozinha quente
S. Lourenço apresenta: Ilha de Cocção
S. Lourenço apresenta: Bancadas da Cozinha
S. Lourenço apresenta: Cozinha Fria
S. Lourenço apresenta: Vista da Cozinha
S. Lourenço apresenta: Lavagem de Panelas
S. Lourenço apresenta: Terraço
S. Lourenço apresenta: Fritadeira
S. Lourenço apresenta: Monta-cargas
S. Lourenço apresenta: Lavagem de Louças
S. Lourenço apresenta: Câmara fria
S. Lourenço apresenta: Corredor do estoque – Máquina de gelo
S. Lourenço apresenta: Escritório
S. Lourenço apresenta: Vestiário dos Funcionários
S. Lourenço apresenta: Banheiros dos funcionários
S. Lourenço apresenta: Área de Convivência
S. Lourenço apresenta: Escada de Serviço
S. Lourenço apresenta: Boqueta do bar
S. Lourenço apresenta: Estoque
S. Lourenço apresenta: WC Masculino
S. Lourenço apresenta: WC Feminino
S. Lourenço apresenta: Pias para lavagem de mãos
S. Lourenço apresenta: Jardim interno
S. Lourenço apresenta: Bar
S. Lourenço apresenta: Salão
S. Lourenço apresenta: entrada de serviço
S. Lourenço apresenta: entrada social
S. Lourenço apresenta: Quadros de Luz
S. Lourenço apresenta: Escada Externa
S. Lourenço apresenta: Acesso Horta
S. Lourenço apresenta: Horta
S. Lourenço apresenta: Área técnica – exaustão
S. Lourenço apresenta: Laje técnica

 

Prometo que volto a passear com o São Lourenço quando tudo estiver mais acabado, limpo e decorado. Ele merece!

Até porque todos querem foto com o São Lourenço!

 

Sim. Repita: 1 ano e 1 mês

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Algumas constatações nesses 13 meses:

  • continuo péssima fotógrafa a despeito da necessidade de fotografar a obra diariamente e da convivência com amigos competentes profissionais da fotografia (tá certo! quem disse que conhecimento passa por osmose?);
  • essa é uma das obras mais desorganizadas que eu pude acompanhar (frase sem sentido já que é a única obra que eu acompanhei. O sujeito correto da sentença é meu sócio, engenheiro, faz-tudo, meu braço direito, cérebro esquerdo e voz acima dos 100 decibéis, pessoa mais generosa, correta e ética que tive o prazer e a sorte de conhecer e conviver – mas por favor, não o deixem bravo, ao menos que você queira entender a extensão do conceito BRAVEZA);
  • poderia ter sido diferente: o conhecimento, o know-how e a experiência são tudo e são para sempre. Aliás esse é um dos motivos de eu tentar dividir aqui com vocês um pouco das minhas agruras (já falei que meu canal de comunicação está 100% aberto para troca de experiências);
  • planejamento é tudo, mas também, e principalmente, é nada se você não souber no quê realmente é preciso perder seu precioso tempo;
  • pessoas fazem a diferença, isso eu sempre acreditei e até já contei aqui que minha decisão de abrir um restaurante veio após ler um livro que fala, em suma, de gerenciamento de pessoas. O problema é que as pessoas que fazem a diferença estão em falta. MUITA falta. Desesperante falta MESMO.

Imagens valem por palavras? Se sim, veja lá o status desse 1 ano e 1 mês de obra.

 

E só porque ando metida a combinar posts com músicas, sem nenhuma pretensão vale bem dizer, a não ser desafiar o WordPress que insiste em bagunçar meus links de posts passados sempre que posto um novo vídeo do Youtube, segue lá o que ando ouvindo de trás pra frente, de frente pra trás ininterruptamente…

Quanto tempo!

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Disciplina. O dia que a tiramos da rotina, difícil fica readquiri-la.

Talvez essa seja a justificativa mais sensata para eu ter parado de escrever neste blog.

A outra cheia de mimimi é que a obra se tornou um amontoado de problemas a se resolver, um atravancado de decisões que me deixavam tão desanimada a ponto de ter somente lamúrias para dividir com vocês.

No entanto fato é que a obra ontem completou 1 ano e 1 mês de vida e nem ao menos uma retrospectiva eu fiz. Feio mesmo.

Então vou tirar a poeira e começar com novos posts diários (hum… semanais vá, melhor não ousar na promessa), até porque tenho metas concretas que divido agora com vocês:

10 de setembro: contratação de funcionário administrativo para início de relacionamento com fornecedores;

17 de setembro: contratação dos funcionários-chave da cozinha para primeiros treinamentos;

1 de outubro: início do treinamento na cozinha do MIMO;

15 de outubro: início de treinamento de bar e salão.

Tá tudo muito perto, não? Em um mês a máquina de certa forma tem que começar a funcionar, com pedreiros arrumando a casa ainda ou não.

No more crying, waiting and hoping… Mãos à obra. A outra…

Whatever

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Faz um bom tempo que nada escrevo aqui e a desculpa é sempre a mesma: a obra dá três passos um dia e volta dois no outro; chego em casa sem ânimo de narrar o quão frustante é tomar várias decisões para contornar problemas ou erros encontrados na obra.

Mas tenho que ser sincera. Não é verdade que nada importante ou digno de nota acontece. Muitas coisas estão quase prontas. E aí eu diria: o problema é o quase, não? Bem… não. Não! Não mesmo.

Explico.

Ontem fui ao show do Noel Gallangher (quem for da mesma geração que eu vai mentalmente cantarolar Oasis agora) e lá pelas tantas ele solta a música “Whatever” (todo mundo junto agora: I’m free(eeeeeeee) to be whatever I. Whatever I choose. And I’ll sing the Blues if I want).

E um amigo que via o show ao me lado manda: tem um comercial da Coca-Cola com essa música, saca?

Opa, saquei! Saquei que eu tenho sim sorte de ser livre pra ter escolhido a vida que eu queria e que tenho muitas razões pra sorrir, pra cantar e me divertir com a minha obra e todos os passos para a montagem do meu negócio. Piegas? Um pouco, mas saca só você:

  • Para cada azulejo quebrado indevidamente na obra, outros exatos 352 estão revestindo a cozinha dos meus sonhos;
  • Para cada porta e/ou contra-marco recolocado para sanar erro ou descuido, outras 3 vão abrir entrada para um novo ambiente;
  • Para cada ralo que teve que ser realocado por falhas nos projetos e suas conciliações, outros 8 já estão garantindo um perfeito escoamento das águas, com reserva das águas pluviais para reuso sustentável;
  • Para cada parede (logo após construída) desmontada, descascada, esburacada e/ou refeita, outras 10 estacas estão garantindo a fundação do MIMO;
  • Para cada ponto de energia cujo material foi inutilizado e trocado, outros 5 pontos vão iluminar o salão dos meus sonhos.

Isso é pouco? Vou pensar que não.

Leva tempo, muito mais tempo do que o planejado porque ninguém quer pensar em REFAZER tantas coisas feitas a partir dos projetos dos sonhos previamente estudados e formatados.

Mas vá, pelo menos você é livre. Nem que seja livre pra construir em outro país, com outra mão-de-obra, com outra qualidade de materiais, com outra tecnologia…

 

Sempre Coca-Cola. Desculpaê Pepsi, mas sempre…

 

 

Cantando os males espanta.

Refúgio

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Na minha infância comer era um martírio. Muitas atividades eu me impunha para postergar os momentos à mesa do almoço e do jantar. Uma delas sempre foi a leitura. Quando a mesa estava posta faltavam, irremediavelmente, algumas páginas para eu terminar aquele capítulo e, Poxa Mãe… não posso interromper meu raciocínio antes da permissão do autor do livro, né? (quase sempre funcionava).

E se os livros eram meu refúgio não sei em qual momento da minha vida a comida também se tornou. Se não exatamente a comida, o ritual em torno dela: a preparação, na cozinha, ou ainda os preparativos para a escolha de um restaurante e todo o ritual envolvendo o ato de comer nesses estabelecimentos.

Tem quem não entre num restaurante sozinho. Não consegue se imaginar numa refeição sem companhia. Eu adoro. Aguça meu sentido de observação e raramente me enfadonho (para as ocasiões sabidas de antemão que a refeição será longa, levo um livro, porque não?).

Desde que resolvi montar o MIMO ir almoçar e jantar em restaurantes tornou-se um vício que oscila entre o refúgio contemplativo e o prazeroso trabalho de benchmarking.

Mas devo confessar que quanto mais a obra demora (pasmem, o novo cronograma mostra a entrega da obra daqui a mais dois meses) mais cresce em mim um sentimento de estranheza, um questionamento de qual seria o meu lugar, qual seria o meu refúgio.

Chego à conclusão que o caminho tanto mais longo é quanto são as provações e o treinamento que a vida precisa lhe impor. E sigo em frente. Sigo não sem garantir um livro dentro de minha bolsa onde possa me refugiar tomando um café e comendo… comendo o que? O que me conforte naquele exato momento.

De mil experiências que fazemos, no máximo conseguimos traduzir uma em palavras, e mesmo assim de forma fortuita e sem o merecido cuidado. Entre todas as experiências mudas, permanecem ocultas aquelas que, imperceptivelmente, dão às nossas vidas a sua forma, o seu colorido e sua melodia. Quando depois, tal arqueólogos da alma, nós voltamos para esses tesouros, descobrimos o quão desconcertantes eles são. O objeto da observação se recusa a ficar imóvel, as palavras deslizam para fora da vivência e o que resta no papel no final não passa de um monte de contradições. Durante muito tempo acreditei que isso era um defeito, algo que deve ser vencido. Hoje penso que é diferente, e que o reconhecimento de tamanho desconcerto é a via régia para compreender essas experiências ao mesmo tempo conhecidas e enigmáticas. Tudo isso parece estranho, eu sei, até mesmo extravagante. Mas desde que passei a ver as coisas assim, tenho a sensação de, pela primeira vez, estar atento e lúcido.

Vá lá: MERCIER, Pascal. “Trem noturno para Lisboa”. Editora Record.