Itália

Férias Coletivas

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Queridos Amigos e Clientes!

Vamos dar uma “paradinha” no começo do ano. Fechamos neste dia 29 de dezembro e só reabrimos dia 10 de janeiro de 2014!!!

A ideia é recarregar as energias, fazer pequenas obras de manutenção na nossa casa, e pesquisar, estudar e se inspirar para trazer o melhor que pudermos para vocês, renovando o cardápio em fevereiro na nossa comemoração de 1 ano do MIMO! (OK comemoração atrasada pois nosso aniversario é em 14-jan)

O fato é que estamos assumindo a nossa veia mediterrânea com força total na próxima revisão do cardápio, então eu e o Chef daremos um pulo em Portugal e Italia, respectivamente.

Vou postando tudo o que puder da viagem para vocês.

Algumas reservas já estão garantidas. Sabem quais?

FELIZ 2014!

Fernanda Duarte

almaelevenxlbelcanto

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Alguém comeu nhoque hoje?

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Ficar o dia inteiro fora de casa em reuniões intermináveis quase me fez perder o timing do post de hoje. Quer dizer, se eu for ser 100% sincera, o timing já não é o melhor porque às 23:00 horas de uma quarta-feira a maioria das pessoas já fez todas as refeições do dia e não dá mais tempo de correr pra fazer nhoque. Pelo menos cabe a enquete: alguém se deu o trabalho de comer? Tem algum supersticioso no meu rol de leitores?

Eu bem que procuraria com mais calma e em fontes mais fiéis a origem dessa superstição, mas dadas as circunstâncias tive que ficar só com o Google e muitos textos idênticos contando a lenda italiana (pô o povo não se dá o trabalho nem de trocar vírgulas, né?) – em tempo, já mandei um email a um amigo italiano para averiguar se a lenda é italiana mesmo ou isso é coisa de brazuca que quer aumentar as vendas no restaurante – espero resposta no fuso horário correto e atualizo o post depois, OK?

O que dizem por este mundo virtual é que certa vez (ninguém precisou quando, nem mesmo o século, mas sabem que era dia 29! Mistério isso não?), na Itália (se bem que Itália, Itália mesmo, unificada e república como hoje a conhecemos só lá por 1929, não historiadores? O melhor seria dizer em algum vilarejo de algum Reino e eu chutaria Trentino, mas só porque lá o povo curte uma batata…) um andarilho (ah vá, uns dizem São Pantaleão, outros São Genaro e outros São Bartolomeu – se soubéssemos o santo correto, data e local seriam mais exatos!) foi bater na porta de um casebre e pedir um prato de comida para aplacar sua fome.

Bom, se era casebre, condições econômicas favoráveis não existiam, mas a família que lá vivia acolheu o andarilho, o santo, ou quem quer que seja, e com ele dividiram o nhoque do dia. Nesta divisão coube sete pedacinhos da (ai ai ai) iguaria a cada um. O tal que bateu a porta, depois de comer, teria agradecido e partido. E tchan! Agora vocês também vão achar que o cara era um santo: deixou misteriosamente moedas embaixo do prato!

Ah tá… entendi. E isso quer dizer que se você colocar dinheiro embaixo do seu prato no dia 29 de um mês qualquer sua vida vai ser muito afortunada, sério? Não vejo muita correlação com a lenda acima já que ninguém bateu na minha porta.

Por isso mesmo alguém já se antecipou e criou a versão de que em verdade se tratava de um frade andarilho (ops, se é frade eu já chutaria outra região da Itália) que chegou a uma pequena vila italiana e bateu à porta de, pasmem, um casal de velhinhos! E no dia 29, claro! O frade também tinha fome, afinal o cara era andarilho poxa, e também pediu um prato de comida. Deram para ele um prato de nhoque (ai ai ai). E a lenda conta mais. Tempos depois, o tal frade voltou para a vila para agradecer os velhinhos (eles estavam vivos ainda, percebe? Afinal a taxa de mortalidade era baixa e a idade média da população naquela época alta, certo? Não!). E esse frade agradeceu com moedas de ouro pois sua vida tinha mudado para melhor.

Agora pergunto eu: para um frade, ou seja, um religioso, mudar a vida para melhor devia ser consequência de suas meditações, estudos e desprendimento da carne em prol da vida casta e espiritual, não? E essa melhoria não significa exatamente moedas de ouro, ou não? Quando muito aqueles ótimos biscoitinhos do Mosteiro de São Bento!

Não sei a versão correta. Peço desculpas pelas brincadeiras já que não quero desrespeitar a religião ou crença de ninguém aqui, muito menos desrespeitar qualquer tipo de fé (que eu mesma possuo muita).

Mas fica a pergunta: quem acredita em superstição e se deu o trabalho de comer nhoque hoje para ganhar na Mega Sena amanhã?

Eu não preciso de desculpas para comer nhoque, então posso ir amanhã já que hoje não deu tempo (isso porque hoje era um dia extra, dado de lambuja pelas convenções do calendário gregoriano). E se for o nhoque do Zena Caffe iria até todo dia, claro!

 

Imagem do site do restaurante Zena Caffe citado acima (www.zenacaffe.com.br)

“… como uma infância”

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Embalada pela música do Beirut, “Postcards from Italy”, que inseri o link no post anterior, subi correndo as escadas atrás de um livro (dessa vez eu li) que me fez criar algumas boas lembranças daquilo que não vivi e de um lugar que ainda, repito, AINDA, não visitei.

Livros têm este poder, ou melhor esta magia! Assim como a comida, não?

E mais não vou falar, vou transcrever. E se você puder ler comendo um pecorino sardo* e “sardine al pomodoro” vai chorar ao final:

*aliás se alguém souber onde eu encontro, se é que é possível, me diz por favor!!!

Eu sei o que é ser feliz na vida – e a dávida da existência, o gosto da hora que passa e das coisas que estão em torno, ainda que imóveis, a dádiva de amá-las, as coisas, fumando, e uma mulher dentro delas. Conheço a alegria de uma tarde de verão, lendo um livro de aventuras canibalescas, seminu em uma chaise longue, na frente de uma casa de colina com vista para o mar. E muitas outras alegrias juntas: de estar num jardim à espreita e escutar o vento que mal move as folhas (as mais altas) de uma árvore; ou sentir trincar e desmoronar num areal a infinita existência de areia; ou, num mundo povoado de galos, despertar antes da alvorada e nadar sozinho em toda a água do mundo, à beira de uma praia rosada. (…)

(…) A alta costa foi escalada, e aqui, diante dessas orlas tão baixas, parece que já estamos no coração do altiplano. Principalmente se nos damos conta de que essa terra rosada das colinas é toda de rocha. Diria que se trata de um lago vulcânico. E na água afloram cardumes de um brilhante candor. Longos gemidos rompem o ar frio como as fraturas do próprio ar; pássaros brancos erguem voo e tornam a mergulhar, agitando as asas com deselegância: albatrozes, gaivotas…

Para continuar a leitura vá lá: “Sardenha como uma infância” de Elio Vittorini, Editora Cosac Naif.