Rio de Janeiro

Saudosismo sim, mas não no meu prato, OK?

Publicado em Atualizado em

Fiquei pensando esses dias sobre a supervalorização que damos à nossa infância (ou seria ao passado em geral?). Como é comum ouvir manifestos de satisfação quando se come alguma comida que remete à infância. Não por menos que a “confort food” voltou com tudo prometendo trazer a lembrança do tempero da vovó, não por menos que clássicos como o “mandiopan” são relançados nas prateleiras dos supermercados.

No entanto, para mim, as melhores lembranças culinárias começam depois dos meus vinte anos de idade. Quando eu efetivamente aprendi a comer por prazer e não por subsistência. E por isso me sinto mais verdadeira quando busco referências vanguardistas para o desenvolvimento do cardápio do MIMO (mas a vanguarda, para ter consistência deve se basear nas tradições passadas ao longo de gerações, reinterpretando-a, reinventando-a ou a ela se opondo, não?).

Por isso não me interpretem mal, eu não descarto em nenhum momento o passado, valorizo o conhecimento acumulado por décadas, respeito-o, admiro-o, estudo-o, mas busco uma expressão mais contemporânea que represente a minha história de vida.

Deixo o saudosismo para a música, para a moda e outras artes em geral. Porque aí não me sinto falsa em abusar de referências passadas ou de lembranças criadas pelo consciente coletivo. Agora montar um restaurante com esta característica única e exclusiva de devolver ao cliente a emoção do prato da vovó? Hum não consigo, afinal meu restaurante é o meu futuro, representa o corte com o meu passado e com a minha trajetória como até então planejada e vivida.

A Revista Época há algumas semanas publicou uma reportagem que fala sobre o tema. Veja aqui. E eu me identifiquei em diversas passagens com a tal geração shuffle, mas se por um lado adoro ir a uma confeitaria ou a um café com ares parisienses, louças vitorianas (quando vou ao Rio de Janeiro a Confeitaria Colombo e o Copacabana Palace são paradas obrigatórias), por outro lado fico sem nenhuma sombra de dúvida mais feliz almoçando no Mani do que no Famiglia Mancini. Sem qualquer desrespeito ao clássico paulistano, OK? Comida boa e farta, que me satisfaz, mas não me emociona tanto como o toque da Helena Rizzo.

Se bem que se o Mani colocar na trilha sonora uma música eletrônica vou sair de lá correndo. Servem as baladinhas com clipes incríveis que remetem à época que realmente não vivi.

PS: esse foi o briefing que dei ao meu arquiteto, aos meus designers e outros colaboradores. Será que deu para entender a minha cabeça?

Rio de Janeiro: quero dicas!

Publicado em

Podia começar dizendo que já faz muito tempo que não vou ao Rio de Janeiro a passeio e por isso mesmo estou desatualizada para decidir qual roteiro gastronômico quero seguir, só que isso é uma meia verdade já que estive lá no Carnaval. Mas Carnaval é uma exceção no funcionamento da Cidade, não?

Agora estou com viagem marcada para o fim do mês e, não sei quanto a vocês, mas eu sempre inicio decidindo quais restaurantes quero visitar para depois ver quais os passeios vou fazer.

O mais lógico seria escrever o post depois da viagem contando as minhas impressões dos lugares visitados, mas a questão toda é que quero dicas, então já me antecipei para vocês me ajudarem!

Provavelmente deixarei de fora jóias da gastronomia carioca, como é o caso do restaurante da Roberta Sudbrack; não por falta de vontade de ir mas por falta de tempo aliado ao fato de que as últimas três vezes em que fui à Cidade eu visitei o restaurante.

Então por onde começar? A primeira imagem que me veio à cabeça foi a da Confeitaria Colombo, a tradição da tradição. Como meu vôo chega bem cedinho penso em fazer o meu desjejum lá mesmo, com vista para a Praia de Copacabana. Hum, comecei bem!

Não quero fazer muito esforço para pensar nesse roteiro – até porque estou contando com as dicas que vou receber de vocês. Assim, os primeiros nomes que me vêm a cabeça são logos listados, sem muito critério.

E eu simplesmente não consigo pensar em RJ + gastronomia + restaurantes sem lembrar do Claude Troisgros (e olha que eu nem assito a GNT!). Pronto! Foi pra lista o Olympe que está naquela classificação do “nunca fui, sempre quis ir” e o CT Boucherie que, imagino, vai acalmar meus nervos carnívoros!

Outra coisa que sempre penso quando imagino o Rio é a Dias Ferreira no Leblon. De lá posso incluir o Celeiro e o Quadrucci, não? OK, a pergunta real é: mesmo sendo roteiro de celebs da TV Globo e afins a comida ainda vale o passeio?

Bem que eu queria sair desse circuito Leblon, mas aí lembrei do Venga e a vontade da sangria me fez incluí-lo na lista. Estão vendo porque preciso de dicas? Não estou sendo nada original. E pra ajudar vou ficar hospedada no Recreio dos Bandeirantes. Alguém faz idéia do que posso incluir na minha lista que não me faça atravessar a Cidade para qualquer refeição?

E os botecos? Bom nesse caso não vou nem me arriscar. A discussão de quais seriam os melhores do Rio é pior que discussão sobre times de futebol. Não palpito neste quesito, sigo o fluxo e depois conto onde fui parar.

Mas para finalizar tenho que pensar em docinhos, e neste caso já tenho um palpite: pûs na lista o Colher de Pau que dizem ter o melhor brigadeiro carioca. OK, bem que tentei, mas voltei para o Leblon…